O grupo Auchan, dono da rede de supermercados Jumbo sediada em Portugal, anunciou pela segunda vez em dez anos a suspensão da venda do livro A Casa dos Budas Ditosos, do escritor brasileiro João Ubaldo Ribeiro, com a alegação de que a obra é pornográfica. Simplesmente.
Em primeiro lugar não li o livro, portanto, não posso aferir o devido teor de sacanagem do mesmo, mas, quem o leu afirma que tudo está em contexto com a história e que o livro não versa só sobre isso, enfim...
O que a primeira vista aparenta um ato de censura, seguramente, não é.
Como entende o articulista João Pereira Coutinho, jornalista português que também escreve na Folha de SP, o ato de suspender a venda do livro, por parte da empresa, é “ridículo, provinciano e analfabeto, mas, paradoxalmente, é um ato de liberdade”.
Ora vamos aos fatos: quem resolveu suspender a venda do produto foi a empresa privada que o comercializa, simplesmente retirando de suas prateleiras.
Nada contra, por mais absurda e preconceituosa que seja a decisão de escolher a mercadoria que se vende, é direito legítimo.
Em Portugal este livro continua disponível em qualquer outro ponto de venda porque a suspensão da venda é unilateral e reservada a uma única empresa que de maneira alguma determina parâmetros culturais ou sequer tem envergadura no sentido de impor restrições a temas abordados em peças culturais sendo, portanto, o único a perder com o ato.
Já no Brasil, o Brasa!, permitimos que o livro escrito por Paulo César Araújo com a biografia de Roberto Carlos seja, por decisão judicial, recolhido das prateleiras das livrarias de todo país!
Claro que a notícia é pra lá de velha, mas observemos as diferenças entre o “arcaico” Portugal e o “modernoso” Brasil: lá se pode comprar e ler a pornografia de João Ubaldo, desde que longe do Jumbo, um reduto de compras familiar, já, aqui quem é fã do “Rei”, mas fã mesmo, como o autor da biografia Paulo César, fica privado da obra de uma vida inteira de jornalismo dedicada a coberturas da carreira do cantor, materiais exclusivos coletados ao longo da vida do Robertão.
Na prática sofremos uma censura a um material jornalístico que no Brasil não ocorria desde os tempos da ditadura.
quinta-feira, 14 de maio de 2009
quinta-feira, 30 de abril de 2009
De Pelé a Neymar
Na copa de 70 no México tiveram duas jogadas que revelaram toda genialidade do Pelé, mas que não se converteram em gols: uma delas foi aquele drible de corpo, e de vaca, no goleiro uruguaio Mazurkiewicz e outra, aquela bola que ele chutou do meio-campo e que passou à esquerda do goleiro Viktor, da Tchecoslováquia no estádio Jalisco. Também pode-se citar a cabeçada para o chão que o inglês Gordon Banks defendeu, mas apesar da visão do craque brasileiro, nesta jogada o personagem foi mesmo o goleiro britânico que protagonizou uma defesa tida como impossível.
A marca do craque está em ambas as jogadas, e até mesmo na da cabeçada: o craque sabe onde está em campo, sabe onde está o adversário marcador e para onde este vai, sabe onde está o gol e o goleiro e a sua capacidade é fechar esta conta mais rápido que todos e, em vantagem de tempo, decidir o que fazer com a bola. A cabeça é o terceiro pé, como afirmou certa vez Neném Prancha.
Essa pequena vantagem de fração de segundo é fator que, dentro do âmbito esportivo, significa uma enorme diferença, senão, vejam o que disse certa vez com relação à Fórmula 1, um piloto que me foge à lembrança, quando questionado sobre largar bem, sair na frente: “não fico olhando para a luz verde esperando que se acenda, mas sim para a vermelha esperando que se apague”.
Esse é o tipo de pensamento que faz um craque, mas não basta só isso, a questão é manter essa concentração dentro do ambiente competitivo em meio às cobranças da torcida e do técnico e mesmo ante às suas próprias expectativas.
Neymar, a promessa santista, tem envergadura de craque e aparenta ser bem conduzido em seus passos na carreira por seu pai, que também se chama Neymar e também foi jogador. Não há dúvida que estamos diante de um atleta que irá ocupar um lugar de destaque no meio futebolístico, mas sua provação hoje parece ser acostumar-se ao burburinho que uma estrela de sua magnitude pode causar em torno de si para que seu raciocínio e sua percepção do jogo prevaleçam.
O jogador passa por seu batismo de fogo, e que fogo vai enfrentar.
Sabemos que o Corinthians já era favorito antes do primeiro jogo e, com o resultado de 3 x 1 para o timão então, parece uma tarefa dantesca para o Santos reverter a situação.
Com as recentes más apresentações de Kleber Pereira e equívocos atribuídos ao comando de Vagner Mancini, entre outras coisas, por ter escalado time reserva contra o CSA na Vila num jogo cuja derrota do peixe teria perturbado psicologicamente seus jogadores, parece que vai ficar mais difícil, nesta final, vermos a estrela de Neymar brilhar plenamente.
Contudo, o futuro de um craque deve ser construído com cautela, é preciso saber entender o momento pelo qual passa seu time, assim como o clube, de maneira geral e aguardar que o menino acumule experiência.
Neymar está no caminho, tem seu talento mas ainda não despontou, não foi possível ainda notar nele aquele raciocínio rápido que diferencia o craque do jogador, o que os torcedores do peixe devem muito ansiar que aconteça, pois neste quesito ninguém jamais conheceu tão intimamente o maior de todos, portanto sabem o que esperar de um verdadeiro craque.
Que o santista não se iluda, o time precisa se reforçar e no brasileirão o buraco é mais embaixo. Sem boas atuações do time fica difícil, ainda mais para um garoto, vencer as ansiedades e brilhar de fato.
A marca do craque está em ambas as jogadas, e até mesmo na da cabeçada: o craque sabe onde está em campo, sabe onde está o adversário marcador e para onde este vai, sabe onde está o gol e o goleiro e a sua capacidade é fechar esta conta mais rápido que todos e, em vantagem de tempo, decidir o que fazer com a bola. A cabeça é o terceiro pé, como afirmou certa vez Neném Prancha.
Essa pequena vantagem de fração de segundo é fator que, dentro do âmbito esportivo, significa uma enorme diferença, senão, vejam o que disse certa vez com relação à Fórmula 1, um piloto que me foge à lembrança, quando questionado sobre largar bem, sair na frente: “não fico olhando para a luz verde esperando que se acenda, mas sim para a vermelha esperando que se apague”.
Esse é o tipo de pensamento que faz um craque, mas não basta só isso, a questão é manter essa concentração dentro do ambiente competitivo em meio às cobranças da torcida e do técnico e mesmo ante às suas próprias expectativas.
Neymar, a promessa santista, tem envergadura de craque e aparenta ser bem conduzido em seus passos na carreira por seu pai, que também se chama Neymar e também foi jogador. Não há dúvida que estamos diante de um atleta que irá ocupar um lugar de destaque no meio futebolístico, mas sua provação hoje parece ser acostumar-se ao burburinho que uma estrela de sua magnitude pode causar em torno de si para que seu raciocínio e sua percepção do jogo prevaleçam.
O jogador passa por seu batismo de fogo, e que fogo vai enfrentar.
Sabemos que o Corinthians já era favorito antes do primeiro jogo e, com o resultado de 3 x 1 para o timão então, parece uma tarefa dantesca para o Santos reverter a situação.
Com as recentes más apresentações de Kleber Pereira e equívocos atribuídos ao comando de Vagner Mancini, entre outras coisas, por ter escalado time reserva contra o CSA na Vila num jogo cuja derrota do peixe teria perturbado psicologicamente seus jogadores, parece que vai ficar mais difícil, nesta final, vermos a estrela de Neymar brilhar plenamente.
Contudo, o futuro de um craque deve ser construído com cautela, é preciso saber entender o momento pelo qual passa seu time, assim como o clube, de maneira geral e aguardar que o menino acumule experiência.
Neymar está no caminho, tem seu talento mas ainda não despontou, não foi possível ainda notar nele aquele raciocínio rápido que diferencia o craque do jogador, o que os torcedores do peixe devem muito ansiar que aconteça, pois neste quesito ninguém jamais conheceu tão intimamente o maior de todos, portanto sabem o que esperar de um verdadeiro craque.
Que o santista não se iluda, o time precisa se reforçar e no brasileirão o buraco é mais embaixo. Sem boas atuações do time fica difícil, ainda mais para um garoto, vencer as ansiedades e brilhar de fato.
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Pelé Neymar Santos Corinthians Timão Peixe
terça-feira, 28 de abril de 2009
A volta do boêmio
De volta ao blog, depois de muito tempo sem escrever, confesso: coisas da internet ainda me custam a uma imediata adesão.
Depois de criado este blog, por conta de um trabalho de faculdade, havia deixado de lado por uma simples razão: não era leitor de blogues e sabe por que? Me parecia um território livre demais para se levar a sério.
Mas parece que o segredo, como tudo na vida, é separar o joio do trigo e hoje deleito-me ao ácido sabor de articulistas que de hoje em diante, aqui e ali, serão citado em textos oportunos.
Feliz de retomar esse canal, com boa disposição para falar sobre música, política e futebol e todos os seus desdobramentos no nosso cotidiano, espero estabelecer aqui um espaço para um saudável debate sobre os assuntos aqui postados.
É isso.
Depois de criado este blog, por conta de um trabalho de faculdade, havia deixado de lado por uma simples razão: não era leitor de blogues e sabe por que? Me parecia um território livre demais para se levar a sério.
Mas parece que o segredo, como tudo na vida, é separar o joio do trigo e hoje deleito-me ao ácido sabor de articulistas que de hoje em diante, aqui e ali, serão citado em textos oportunos.
Feliz de retomar esse canal, com boa disposição para falar sobre música, política e futebol e todos os seus desdobramentos no nosso cotidiano, espero estabelecer aqui um espaço para um saudável debate sobre os assuntos aqui postados.
É isso.
sábado, 15 de março de 2008
Vacina anti-pirataria
Lembra do LP? O bolachão de vinil?
No tempo deste objeto o disco pirata tinha uma conotação bem diferente do que se conhece hoje, principalmente pra quem, como eu, curtia hard rock & afins.
Pesadelo da indústria fonográfica mundial, o disco pirata dos dias atuais nada são além de grosseira cópia de um original, as vezes sem nem o encarte. Que ingenuidade a minha...encarte!
Pois justamente, os discos piratas eram a glória dos rockeiros.
E se você acha politicamente incorreto, vamos lá: os piratas eram, geralmente, gravações de concertos de nomes como Black Sabbath, Kiss, Led Zeppelin, Deep Purple e tantos outros quanto lembrarmos, gravações de faixas raras, às vezes com surpreendente qualidade, na maioria das vezes, registros precários, mas valia muito a pena possuí-los.
Exibiam um trabalho artístico tão elaborado quanto o material oficial das gravadoras e é aí que mora a jogada: não é barato produzir LP e ainda por cima geravam mitos acerca dos artistas.
Portanto, para os piratas da época o mercado exigia um diferencial artístico sobre o material oficial disponível, já que não haveria vantagem pelo preço, levando os produtores desse mercado negro a lançar os mais diversos títulos que acabaram se notabilizando e alcançando tanto destaque quanto os álbuns oficiais.
Led Zeppelin , Live in Knebworth, 1977 discos I e II, último show do Led, só um pequeno exemplo.
Os atuais saqueadores do meio artístico não precisam se preocupar em conhecer a obra de quem irão usurpar. Não precisarão ir atrás dos artistas em seus shows a fim de obter um precário registro único de um concerto perdido num fim-de-semana qualquer.
Vamos escolher quem vende mais pois a vantagem é o preço, até isso é banal.
Este trabalho hoje cabe aos verdadeiros interessados nos artistas: seus fãs que agora gravam e postam em mp3 as novas raridades, show do Police no Brasil, Do Led em Londres, do Iron e Dream Theater também no Brasil e por aí vai.
A vacina? O Próprio vinil.
Querem alguns saudosos a volta do bolachão e o argumento é justamente a impossibilidade de se piratear este material na forma como vem sendo feita com cd's e dvd's.
É isso?
No tempo deste objeto o disco pirata tinha uma conotação bem diferente do que se conhece hoje, principalmente pra quem, como eu, curtia hard rock & afins.
Pesadelo da indústria fonográfica mundial, o disco pirata dos dias atuais nada são além de grosseira cópia de um original, as vezes sem nem o encarte. Que ingenuidade a minha...encarte!
Pois justamente, os discos piratas eram a glória dos rockeiros.
E se você acha politicamente incorreto, vamos lá: os piratas eram, geralmente, gravações de concertos de nomes como Black Sabbath, Kiss, Led Zeppelin, Deep Purple e tantos outros quanto lembrarmos, gravações de faixas raras, às vezes com surpreendente qualidade, na maioria das vezes, registros precários, mas valia muito a pena possuí-los.
Exibiam um trabalho artístico tão elaborado quanto o material oficial das gravadoras e é aí que mora a jogada: não é barato produzir LP e ainda por cima geravam mitos acerca dos artistas.
Portanto, para os piratas da época o mercado exigia um diferencial artístico sobre o material oficial disponível, já que não haveria vantagem pelo preço, levando os produtores desse mercado negro a lançar os mais diversos títulos que acabaram se notabilizando e alcançando tanto destaque quanto os álbuns oficiais.
Led Zeppelin , Live in Knebworth, 1977 discos I e II, último show do Led, só um pequeno exemplo.
Os atuais saqueadores do meio artístico não precisam se preocupar em conhecer a obra de quem irão usurpar. Não precisarão ir atrás dos artistas em seus shows a fim de obter um precário registro único de um concerto perdido num fim-de-semana qualquer.
Vamos escolher quem vende mais pois a vantagem é o preço, até isso é banal.
Este trabalho hoje cabe aos verdadeiros interessados nos artistas: seus fãs que agora gravam e postam em mp3 as novas raridades, show do Police no Brasil, Do Led em Londres, do Iron e Dream Theater também no Brasil e por aí vai.
A vacina? O Próprio vinil.
Querem alguns saudosos a volta do bolachão e o argumento é justamente a impossibilidade de se piratear este material na forma como vem sendo feita com cd's e dvd's.
É isso?
Os jornalistas perderam seu poder com o advento da Internet?
Pergunta do jornalista Armando Pereira, prof. do On-line na Unisanta.
Acredito que a internet possui uma característica de interface que permite troca de arquivos em âmbito pessoal e por isso se torna um instrumento de comunicação também inter-pessoal.
As milhares de possibilidades abertas pela interação de tantos usuários dá a idéia de um poderoso veículo de comunicação, mas devido às tais relações inter-pessoais chovem home pages, blogs, portais, enfim pulverizando informações no espaço cybernético, mas a questão é quem é acessado e porque, quem realmente aparece.
A briga é de cachorro grande, quem é visto tem por trás de si grandes marcas ou corporações que investem pesado em seu marketing.
Portanto não dá pra imaginar perda de poder pelos dos jornalistas por causa da internet, esta apenas mais um meio de se comunicar.
Acredito que a internet possui uma característica de interface que permite troca de arquivos em âmbito pessoal e por isso se torna um instrumento de comunicação também inter-pessoal.
As milhares de possibilidades abertas pela interação de tantos usuários dá a idéia de um poderoso veículo de comunicação, mas devido às tais relações inter-pessoais chovem home pages, blogs, portais, enfim pulverizando informações no espaço cybernético, mas a questão é quem é acessado e porque, quem realmente aparece.
A briga é de cachorro grande, quem é visto tem por trás de si grandes marcas ou corporações que investem pesado em seu marketing.
Portanto não dá pra imaginar perda de poder pelos dos jornalistas por causa da internet, esta apenas mais um meio de se comunicar.
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